A cidade de São Paulo (SP) e sua região metropolitana mantêm uma relação afetiva e comercial intensa com a pizza. Trazida pela imigração italiana, a iguaria gerou um mercado robusto que, somente na capital paulista, soma quase 5 mil estabelecimentos em funcionamento, segundo dados de 2025 da Associação Pizzarias Unidas (Apubra). Esse cenário competitivo exige diferenciação por parte dos empreendedores.
Em Jundiaí, o engenheiro químico Marcelo Alonso, encontrou na união entre a gastronomia e o rock o modelo para criar o Pizza Rock Bar, uma pizzaria temática que atualmente registra um faturamento médio de R$ 50 mil por mês.
A trajetória de Alonso no empreendedorismo começou a partir de um hobby. Há sete anos, ele passou a se interessar pela panificação e pela fermentação natural dentro de casa. Com o retorno positivo de amigos e familiares que provavam as receitas, o engenheiro decidiu estruturar o negócio próprio. Para viabilizar a abertura da pizzaria, o empresário utilizou recursos pessoais obtidos com a venda de um automóvel e o recebimento do décimo terceiro salário para comprar o primeiro forno profissional.
Atualmente, Alonso concilia a operação do restaurante com o cargo de gerente geral em uma fábrica familiar de biscoitos, onde trabalha há 28 anos. A experiência de quase três décadas na indústria alimentícia foi absorvida na gestão do novo negócio, otimizando processos que vão além do balcão.
“Lá eu faço compras também. Me ajudou muito aqui a buscar fornecedores e a diminuir custos”, afirma Alonso.
O início da operação, contudo, exigiu adaptações rápidas para alinhar a proposta da casa às demandas reais dos clientes. Alonso relata que o aprendizado prático corrigiu rumos importantes no atendimento e no cardápio
“Você bate muito a cabeça no começo. Você quer fazer um negócio e o público te leva para outro, e você tem que mudar. Por exemplo, eu vendia cerveja long neck, mas o pessoal chegava aqui e pedia a garrafa de 600 ml”, relembra o empreendedor.
Cardápio autoral e experiência do cliente
A identidade visual e a atmosfera do espaço são pilares da Pizza Rock Bar. A decoração é composta por referências a bandas como The Beatles e Pink Floyd, além de instrumentos musicais espalhados pelas paredes, como violões. O cardápio acompanhou o crescimento do negócio: começou com 11 opções de sabores e hoje conta com 27 pizzas autorais, batizadas com nomes de grupos consagrados do rock mundial.
Entre as opções mais demandadas do menu estão a Dire Straits, versão composta por quatro queijos, e a Yes, que combina muçarela, parmesão, cream cheese e pesto de manjericão.
A operação do salão funciona de quarta-feira a domingo, a partir das 18h30. Para manter a estrutura enxuta e controlar as despesas fixas, Alonso conta com apenas um funcionário fixo, o pizzaiolo, enquanto o restante da equipe atua sob demanda nos dias de abertura.
A estratégia de atração de público inclui apresentações semanais de música ao vivo, com repertório focado em clássicos do rock nacional, como Titãs, Os Paralamas do Sucesso e Legião Urbana. A inserção do entretenimento impacta diretamente o faturamento da pizzaria. Segundo Alonso, a presença de músicos no salão gera um incremento de 20% a 30% no movimento de clientes da noite.
Embora mantenha a rotina dupla entre a indústria química e a gestão do bar, Alonso planeja a transição de carreira para se dedicar exclusivamente à pizzaria no longo prazo. O crescimento consistente do faturamento e a consolidação do ponto comercial mudaram a perspectiva do empresário sobre a atividade.
“É um sonho. Você fala: ‘pô, sempre quis ter’. E assim, parece que você acorda e fala: ‘nossa, como que eu tenho isso hoje?’. Antes era brincadeira, hoje não. Hoje o negócio é sério”, conclui Alonso.
Fonte: revistapegn
