Uma nova pesquisa realizada na Espanha trouxe evidências que ampliam o entendimento sobre os hábitos de grupos humanos que viveram na Europa há cerca de 850 mil anos. Fósseis recentemente analisados indicam que integrantes da espécie Homo antecessor consumiam tanto adultos quanto crianças, reforçando a hipótese de que o canibalismo fazia parte do comportamento desse grupo pré-histórico.
Os vestígios foram encontrados na caverna de Gran Dolina, localizada no complexo arqueológico de Atapuerca, na província de Burgos, norte da Espanha. O local é considerado um dos mais importantes do mundo para o estudo da evolução humana e já havia revelado, na década de 1990, fósseis atribuídos ao Homo antecessor, um dos primeiros hominídeos a ocupar o continente europeu.
Durante a mais recente campanha de escavações, os pesquisadores recuperaram pelo menos 24 novos fósseis humanos. Entre eles, foram identificados restos de adultos com marcas de corte produzidas por instrumentos de pedra, características semelhantes às observadas anteriormente em ossadas de indivíduos jovens. Segundo os cientistas, as evidências demonstram que o consumo de carne humana não se restringia às crianças, como se imaginava até então, mas também incluía adultos.
A análise revelou ainda a presença de fragmentos de crânios, dentes, vértebras, fêmures e outros ossos longos que apresentam sinais de desmembramento e processamento. O elevado grau de fragmentação sugere que os corpos eram aproveitados de forma ampla para extração de recursos nutritivos.
Além dos restos humanos, a equipe encontrou ferramentas confeccionadas em sílex, quartzito, quartzo e arenito, além de ossos de animais como cavalos, cervos, rinocerontes, bovídeos, castores e hienas. Esses materiais ajudam os arqueólogos a reconstruir o ambiente e o modo de vida das populações que habitaram a região durante o Pleistoceno.
Os pesquisadores afirmam que os novos achados representam um avanço importante para compreender a organização social desses ancestrais humanos. A próxima etapa do estudo será investigar se havia diferenças no tratamento dado aos indivíduos conforme a idade ou outras características do grupo, o que poderá oferecer novas pistas sobre o significado do canibalismo naquele período da evolução humana. Vale destacar que os resultados foram divulgados pelos responsáveis pela pesquisa, mas ainda aguardam publicação em revista científica com revisão por pares.
Com informações UOL Notícias

