Antônio Carlos Pereira concilia trabalho, tarefas domésticas e a rotina de reabilitação de Aaron, acompanhado desde os 3 anos pelo Instituto Jundiaiense Luiz Braille
Morador do Jardim Santa Gertrudes, em Jundiaí, Antônio Carlos Pereira, de 50 anos, representa uma paternidade marcada pela presença, pelo cuidado e pela superação diária. Pai solo, ele é responsável pela criação de Aaron, que nasceu prematuro e com deficiência visual total.
A rotina de Antônio inclui os serviços como trabalhador autônomo, as atividades domésticas e o acompanhamento do filho em consultas, terapias e atendimentos especializados. Para garantir que Aaron receba todo o suporte necessário, o pai precisou reorganizar a própria vida profissional e familiar.
Atualmente, o menino é atendido pela equipe de Reabilitação do Instituto Jundiaiense Luiz Braille de Assistência ao Deficiente da Visão. Antônio acompanha de perto cada etapa do desenvolvimento do filho e costuma estar presente nas atividades realizadas na instituição.
A participação constante chama a atenção dos profissionais, principalmente porque as salas de espera dos serviços de reabilitação ainda são ocupadas, em sua maioria, por mães e avós.
Antônio cria Aaron sozinho desde a morte da companheira, Andreia Maciel, há cinco anos. Segundo ele, Andreia enfrentou problemas de saúde e chegou a procurar atendimento médico, passando por diferentes exames.

Antônio assumiu sozinho a criação do filho
Durante a gestação, o casal descobriu que esperava gêmeos. Um dos bebês, entretanto, morreu antes do nascimento. Aaron nasceu prematuro e com deficiência visual total, exigindo cuidados e acompanhamento desde os primeiros anos de vida.
Após a morte da companheira, Antônio passou a assumir integralmente as responsabilidades da casa e da criação do menino. Além de garantir os cuidados básicos, tornou-se a principal referência afetiva e educacional do filho.
A nova realidade exigiu mudanças profundas. Em determinado período, Antônio deixou o emprego para se dedicar exclusivamente a Aaron. Mais tarde, retornou ao mercado de trabalho como autônomo, modelo que lhe proporcionou maior flexibilidade para acompanhar os atendimentos.
Pai aprendeu braille para acompanhar Aaron
Aaron completa 10 anos no dia 13 de agosto. Ao longo desse período, Antônio também precisou aprender novas formas de comunicação e orientação para participar do desenvolvimento do filho.
Entre os conhecimentos adquiridos está a leitura em braille, sistema de escrita e leitura utilizado por pessoas com deficiência visual. Para o pai, a convivência com Aaron também trouxe aprendizados sobre paciência, dedicação e responsabilidade.
“Com o Aaron, aprendi a ler em braille, a ter paciência e a entender que vale a pena se dedicar a um filho”, relata.
Mesmo diante das dificuldades, Antônio considera que os momentos compartilhados com o menino são sua maior recompensa.
“Minha alegria é estar ao lado dele. Não existe presente melhor no mundo do que o sorriso do meu filho”, declara.
Atendimento busca desenvolver autonomia e independência
Aaron recebe acompanhamento de uma equipe multidisciplinar no Instituto Luiz Braille. Os atendimentos envolvem áreas como Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Orientação e Mobilidade.
O trabalho busca ampliar as habilidades do menino e oferecer instrumentos para que ele desenvolva cada vez mais autonomia nas atividades cotidianas.
A fonoaudióloga Ana Lúcia Jacomasso Crepaldi acompanha Aaron desde pequeno. Segundo a profissional, pai e filho construíram uma relação baseada no afeto e no companheirismo.
“O Aaron e o pai têm uma relação de grande amor. Antônio está atento a todas as necessidades do filho”, afirma.
Ana Lúcia também destaca que o menino é educado e demonstra valores humanos importantes. Na avaliação da profissional, Aaron apresenta condições para conquistar mais independência com o apoio adequado.
“Aaron é extremamente educado e possui valores humanos muito fortes. Ele tem condições de desenvolver autonomia e independência”, explica.
Para a fonoaudióloga, os avanços apresentados pelo menino estão diretamente relacionados ao envolvimento do pai em sua formação e no acompanhamento das orientações oferecidas pela equipe.
“É resultado da dedicação de um pai que exerce dignamente seu papel. É muito bonito acompanhar essa relação”, completa.
Presença paterna é reconhecida pelos profissionais
A assistente social da Reabilitação, Viviane Santos, afirma que a participação de Antônio desperta a admiração dos profissionais da instituição. Segundo ela, a presença masculina no acompanhamento das crianças ainda é menos frequente.
“É raro vermos pais trazendo as crianças. Por isso, o pai do Aaron é um exemplo”, observa.
Mesmo dividindo o tempo entre trabalho, casa e cuidados com o filho, Antônio procura participar dos momentos importantes e acompanhar as orientações da equipe.
Viviane também ressalta que o resultado desse envolvimento pode ser percebido no comportamento e no desenvolvimento de Aaron.
“O Aaron é muito desenvolvido, falante, educado e gentil. É uma graça de menino”, afirma.
Uma história de cuidado no Jardim Santa Gertrudes
No Jardim Santa Gertrudes, a história de Antônio e Aaron evidencia uma realidade vivida por muitas famílias que precisam conciliar trabalho, responsabilidades domésticas e acompanhamento especializado.
Mais do que uma narrativa de superação individual, a trajetória dos dois reforça a importância de serviços de reabilitação acessíveis, de redes de apoio às famílias e da participação dos pais no desenvolvimento das crianças com deficiência.
Neste Dia dos Pais, Antônio não mede a paternidade por grandes gestos. Seu exemplo aparece nas tarefas cotidianas: acompanhar uma consulta, aprender braille, reorganizar o trabalho, cuidar da casa e estimular o filho a conquistar a própria independência.
Para Aaron, essa presença diária transforma o pai em seu principal companheiro e em uma referência dentro e fora de casa.
