Profissionais com deficiência visual e auditiva relatam avanços no mercado de trabalho e na autonomia; dados do IBGE mostram que a taxa de ocupação do grupo ainda é de 26,6% no Brasil.

Por TV TEM

06/09/2026 12h35  Atualizado há 2 dias

  • Em Jundiaí (SP), a qualificação profissional e a adaptação do ambiente de trabalho facilitam a inclusão e o sucesso de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
  • No Instituto Luiz Braille, profissionais com deficiência visual, como Cássio Vicente, Gilson Modesto e João Victor, atuam no atendimento, na psicologia e no ensino de acessibilidade digital.
  • Apesar dos casos de sucesso local, o IBGE aponta que cerca de 18,6 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência no Brasil, evidenciando disparidades nacionais.
  • Lucas Felix, arquiteto com deficiência auditiva de nascença, leciona design e paisagismo no Senac de Jundiaí com o suporte de uma intérprete de Libras.

Empresas de Jundiaí ampliam inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

A inclusão de pessoas com deficiência (PCD) no mercado de trabalho em Jundiaí (SP) tem caminhado para além do cumprimento das leis. Histórias de profissionais da cidade mostram como a reabilitação, o acesso à educação e a adaptação do ambiente de trabalho transformam a busca por autonomia em trajetórias de sucesso.

No Instituto Luiz Braille, em Jundiaí, o atendimento ao público ganha o reforço de Cássio Vicente, que tem deficiência visual desde que nasceu e que atua há três anos na recepção. Na mesma instituição, o psicólogo Gilson Modesto utiliza a própria história para reabilitar e orientar outros deficientes visuais. Ele perdeu a visão aos 19 anos devido a um descolamento de retina.

“As empresas que me contratam não veem a minha deficiência, veem a minha eficiência. Não é legal uma empresa colocar você no mercado só para preencher cota”, ressalta Gilson.

Na área de tecnologia, João Victor, que perdeu a visão aos cinco anos, especializou-se em acessibilidade digital. Após passar pelo processo de reabilitação no instituto, hoje ele ensina outros alunos a utilizarem leitores de tela em celulares e computadores para navegar na internet, pedir refeições ou solicitar transporte por aplicativo.

Desigualdade no mercado e na educação

Apesar de iniciativas locais bem-sucedidas, o cenário nacional ainda apresenta grandes disparidades. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 18,6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência no Brasil:

  • Escolaridade: apenas 25% das pessoas com deficiência concluem ao menos o ensino médio, contra 57% da população sem deficiência;
  • Mercado de trabalho: o nível de ocupação é de 26,6% entre o público com deficiência, enquanto atinge 60,7% entre os demais trabalhadores.

Capacidade técnica e acessibilidade

Lucas Felix tem deficiência auditiva de nascença e leciona design e paisagismo no Senac de Jundiaí (SP) — Foto: Reprodução / TV TEM

Lucas Felix tem deficiência auditiva de nascença e leciona design e paisagismo no Senac de Jundiaí (SP) — Foto: Reprodução / TV TEM

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Superando os gargalos da formação, Lucas Felix, que tem deficiência auditiva de nascença e possui pós-mestrado em Arquitetura, leciona design e paisagismo no Senac de Jundiaí. Aprovado em processo seletivo pelas suas qualificações profissionais, ele atua em sala de aula com o suporte da intérprete de Libras Ana Paula.

“Entendi que o problema não era ser surdo ou ouvinte. Qualquer limitação da pessoa, em qualquer lugar ou trabalho, conseguindo fazer uma adaptação, você é capaz de fazer as coisas”, pontua o professor.