A dor da perda de um filho levou uma moradora de Jundiaí a transformar o luto em uma missão de conscientização. Menos de um mês após a morte de Lucas Donola da Silva, a empresária Daysi Donola afirma que pretende alertar outras famílias sobre os riscos da dependência em apostas online, problema que, segundo ela, mudou completamente o comportamento do jovem.

De acordo com o relato da mãe, Lucas conheceu as plataformas de apostas em 2023 e, aos poucos, passou a apresentar sinais de dependência. Insônia, isolamento, perda de peso, endividamento, dificuldades para manter o emprego e mudanças no comportamento se tornaram cada vez mais frequentes. A família buscou ajuda médica e acompanhamento psiquiátrico, mas enfrentou resistência do jovem em seguir o tratamento.

Dias após uma viagem da família, Daysi encontrou o filho sem vida. Desde então, ela afirma conviver diariamente com a saudade e decidiu deixar a casa onde ocorreu a tragédia. Alguns pertences de Lucas, como roupas, óculos, perfume e lembranças da infância, foram guardados como forma de preservar sua memória.

Agora, a mãe pretende levar a história do filho para escolas, empresas e campanhas de prevenção. O objetivo é conscientizar jovens e familiares sobre os impactos da dependência em jogos de apostas e incentivar a busca por ajuda antes que o problema tenha consequências irreversíveis.

Especialistas alertam que o transtorno do jogo é reconhecido como uma doença e funciona de maneira semelhante à dependência química, estimulando o sistema de recompensa do cérebro por meio da liberação de dopamina. Entre os principais sinais estão a necessidade constante de apostar, dificuldade para interromper o hábito, dívidas, ansiedade, prejuízos nos relacionamentos e no trabalho.

O tratamento pode envolver psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, uso de medicamentos em alguns casos e participação em grupos de apoio. Profissionais da saúde também defendem que o crescimento das apostas online tornou o problema uma importante questão de saúde pública, exigindo ações de prevenção, educação e acesso ao tratamento especializado.

Lucas, de Jundiaí (SP), amava os animais e era muito tranquilo — Foto: Arquivo Pessoal

Se você ou alguém próximo apresenta sinais de sofrimento emocional ou pensamentos suicidas, procure ajuda imediatamente. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito e sigiloso pelo telefone 188 e pelo site oficial.

Sinais de alerta de que a pessoa pode estar desenvolvendo dependência em jogos de apostas

  • Pensar em apostas durante boa parte do dia, mesmo quando está trabalhando ou realizando outras atividades;
  • Sentir necessidade de apostar valores cada vez maiores para obter a mesma sensação de emoção;
  • Tentar parar de jogar, mas não conseguir controlar o impulso;
  • Esconder ou mentir sobre o tempo e o dinheiro gastos com apostas;
  • Acumular dívidas ou recorrer a empréstimos para continuar apostando;
  • Utilizar dinheiro destinado às despesas essenciais, como contas da casa e alimentação, para fazer apostas;
  • Ficar irritado, impaciente ou agressivo quando não consegue jogar;
  • Apresentar ansiedade, inquietação ou desconforto na ausência das apostas;
  • Sofrer prejuízos na vida pessoal, profissional ou acadêmica em razão do vício;
  • Afastar-se da família e dos amigos, priorizando cada vez mais o jogo;
  • Negligenciar a própria saúde, alimentação e higiene por causa das apostas;
  • Persistir no comportamento mesmo diante de perdas financeiras, conflitos familiares e consequências negativas.

Esses sinais podem indicar um transtorno relacionado ao jogo e merecem atenção. Quanto mais cedo a pessoa buscar ajuda profissional, maiores são as chances de recuperação.

Com informações da g1

Matéria com mais detalhes:https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/07/18/mae-associa-morte-do-filho-as-apostas-online-e-promete-transformar-dor-em-luta-contra-o-vicio-para-ajudar-outras-pessoas-silencio-e-perturbador.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=canais&utm_campaign=g1-sorocaba-e-jundiai